<-- Go Back

Esse é o "final" feliz da minha série de posts de como trabalhar fora. Ainda não é final pois minha vida e minha busca pela melhoria pessoal não acaba aqui e eu ainda não estou morando em outro país. Mas uma das fases foi concluída e isso me deu bastante motivação para terminar essa série.

Assim como disse no post anterior, descobri a vaga da MetaLab pelo Reddit, no /r/androiddev que tem uma thread semanal de "quem está contratando". Enviei email, fiz uma entrevista, depois de 2 semanas fui chamado para trabalhar com eles.

O interessante desse trabalho em particular foi que eu recebi uma proposta de contrato de 1 mês por hora trabalhada, como um freelancer mesmo. Então eu teria toda a liberdade que eu quisesse, mas se eles não gostassem de mim depois desse 1 mês, eu estaria sem nada :D

Sinceramente não vi nenhum contra nessa proposta. Eu finalmente estava tendo a chance que queria, ganharia mais do que estava ganhando (se trabalhasse as 8h diárias), e ainda teria a possibilidade de extender esse contrato por mais tempo. Ou seja, eu só precisava trabalhar direito.

Disse sim, e comecei a trabalhar com eles no dia 13 de Junho. O primeiro contrato acabou, eles me deram mais 1 mês de contrato e depois transformaram em um contrato indefinido. Depois que fui viajar eles me ofereceram um contrato para virar funcionário, e hoje eu sou Full Time Android Developer da MetaLab.

Trabalho

Meu contrato é com a MetaLab mas meu trabalho nos primeiros meses era trabalhar no app de tarefas da Flow enquanto o Derek trabalhava no app de Chat que foi lançado em Setembro. Eu comecei fazendo uma funcionalidade nova que o Derek queria colocar no app mas pelo meio do caminho eu fui trocando as coisas até que chegou um momento que eu decidi que o melhor a fazer seria um full refactory para que no futuro fosse mais fácil de adicionar funcionalidades. Ao mesmo tempo eu podia mostrar meu valor como Arquiteto de Software, ao invés de apenas adicionar funcionalidades no app. Depois que fui para a MetaLab eu comecei a trabalhar em projetos para outras empresas.

As ferramentas de trabalho são bastante padrões para a gente: Github para o código e Pull Requests, Flow como gerenciador de tasks e bugs e Flow Chat para a comunicação (dogfooding pessoal, dogfooding…), Gmail e Hangouts para conversar por voz. Uma coisa nova pra mim foi o Harvest, que é um app para gerenciar horas de trabalho (um timer basicamente) já que eu trabalho remoto e ganho por horas. Na MetaLab também usamos o Slack para chat também.

Adaptação e remoto

Eu não tinha noção de como seria difícil me adaptar a trabalhar tão longe da empresa, sem nenhum contato com os membros da equipe. Para muitos é bem fácil tudo isso, mas para mim que sempre tive um lugar para ir, parecia que faltava algo. Aquele aperto de mão com os colegas no começo do dia, sair de casa sabendo que ia para algum lugar, almoçar com a galera e ficar falando besteira… São tantas pequenas coisas que fazemos na nossa pequena comunidade de colegas de trabalho que você só sente falta quando não tem nada disso. E em um momento de iluminação eu percebi que por mais que eu gosto de ser sozinho, eu sentia falta de ter alguém para bater papo durante o período de trabalho.

Claro, eu podia tentar conversar com o pessoal da empresa, mas a cultura era diferente, eu não sei o que falar e sobre o que fazer piadas, ou mesmo do que cada um gosta. Claro, como todo novo emprego leva um tempo até você conseguir um assunto maneiro para conversar com alguém. O que eu acho maneiro da MetaLab é que toda sexta - ou quando alguém é contratado - eles enviam uma pergunta pelo Know your company. Pode ser uma pergunta relacionada a trabalho ou coisas pessoais. E isso gera assunto - por exemplo descobri uma galera de curte Heavy Metal, que gosta de Yoga…

A parte de trabalhar em casa também exige uma certa dedicação e comprometimento que eu achava que tinha. Até que eu vi o quanto eu trabalhei na minha primeira semana segundo o Harvest e percebi que eu estava ferrado para me comprometer com o trabalho: 20 horas na semana. 20 horas! Nem um estagiário trabalha tão pouco. (em minha defesa eu ainda estava aproveitando essas "férias" e tinha começado Friends; ou seja, Friends acabou com minha vida - depois eu comecei How I met your mother e vocês já imaginam o que viria né…)

Depois desse tempo procrastinando e ver que meu salário iria ser bem baixo, eu comecei a colocar horários para fazer cada coisa. Comecei a acordar mais cedo para poder trabalhar antes da equipe no Canadá, enviar o trabalho para eles no meio da tarde e poder sair a noite. Aos poucos eu comecei a criar minha nova rotina de trabalhador de casa.

Tem todas as outras coisas que tive que me adaptar a partir disso: melhorar cada vez mais o inglês a ponto de poder participar bem de uma reunião por Hangouts; começar a depender mais de outras equipes, já que não dá pra fazer tudo sozinho agora - e o legal é que isso funciona aqui; discutir sobre o que usar, como usar, chegar a meios termos com os outros devs. E haja briga!

Viagem

E então depois de 2 meses trabalhando eu disse para o pessoal que eu queria ir para o Canadá vê-los, que seria legal poder passar esse tempo conhecendo, e que queria também dar uma andada no EUA. Achei muito legal eles falarem que sim, que seria até muito bom porque eles estavam para lançar o Flow Chat e que eu podia ficar lá umas semanas. Comecei a tirar os vistos, comprar passagem e fui finalmente.

Fiquei completamente perdido quando cheguei na sala, quase não conseguia manter uma conversa por mais de 5 min com alguém mas ao mesmo tempo me senti incrivelmente bem de poder estar com eles. Colocar um rosto e uma voz naquele monte de nomes do chat, finalmente poder dar um high five de verdade. Acho que meu maior problema continua sendo a língua. Apesar de eu conseguir falar e entender, e alguns até elogiaram meu inglês, eu sempre me sinto bobo falando inglês.

A cidade (Victoria) é maneira mas apesar de ser a capital do estado ela não é tão movimentada como uma cidade grande (Vancouver) - ao mesmo tempo isso me conforta. Eu posso andar tranquilo na rua, as pessoas falam bom dia uma pra outra no supermercado, quase uma cidade do interior brasileiro.

O escritório é animal, a equipe é super divertida (após você entender como é um canadense), as pessoas são super prestativas para te ajudar e tem interesse em algo novo que você está mostrando. Tipo o Pebble, que juntou uns 4 caras para poder ver como ele funcionava, se eu já tinha criado algo pra ele e essas coisas. É uma cultura diferente - por exemplo, eles comem lanche no almoço e comida de verdade na janta, o exato oposto de mim.

Agora que voltei eu vou juntar dinheiro e ficar quieto até o fim do ano. Quem sabe ano que vem eu não começo a parte 2 dessa série dizendo como será minha mudança para o Canadá?


Share: twitter facebook
Created: 2015-11-21